MPT-PI alerta que demissões por motivação política podem resultar em punições

Órgão recebeu 34 denúncias de assédio eleitoral no Piauí

30/10/2026 - 10:19

O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) alertou que demissões motivadas por divergências políticas podem resultar em responsabilização dos empregadores. O órgão informou que continuará investigando denúncias de assédio eleitoral mesmo após o encerramento das eleições, com atenção especial a possíveis casos de retaliação contra trabalhadores por causa de suas escolhas nas urnas.

Segundo o MPT-PI, publicações sobre possíveis demissões relacionadas a divergências políticas entre empregados e patrões já circulam nas redes sociais. Diante dos relatos, o órgão reforçou que a liberdade de consciência, de expressão e de escolha política deve ser respeitada nas relações de trabalho.

O procurador do Trabalho Edno Moura destacou que o fim do período eleitoral não encerra a atuação do Ministério Público no combate ao assédio eleitoral. De acordo com ele, denúncias de perseguição política no ambiente profissional poderão ser apuradas, inclusive quando envolverem ameaças de demissão ou desligamentos.

“O voto é livre e secreto, e nenhum trabalhador pode ser perseguido, ameaçado ou penalizado em razão de suas convicções políticas ou de suas escolhas nas urnas”, afirmou o procurador.

Durante o período eleitoral, o MPT-PI recebeu 34 denúncias de assédio eleitoral. O número representa um aumento de 240% em relação às 10 denúncias contabilizadas até o primeiro turno. Em todo o país, foram registradas mais de 2 mil denúncias, segundo o órgão.

Entre as situações relatadas no Piauí estão tentativas de impedir trabalhadores de votar por meio de escalas de trabalho sem revezamento adequado, além de casos de pressão para participação em manifestações e atividades políticas.

Com o encerramento das eleições, a preocupação do Ministério Público também envolve possíveis represálias relacionadas aos resultados das urnas. Entre as condutas que podem ser denunciadas estão ameaças, constrangimentos, perseguições e demissões motivadas pelas preferências políticas dos empregados.

Edno Moura ressaltou que empregadores não podem utilizar sua posição hierárquica para impor posicionamentos políticos aos funcionários ou puni-los por suas escolhas eleitorais.

Segundo o procurador, caso existam indícios de que uma demissão foi motivada por discriminação política, o MPT poderá instaurar procedimento investigatório e adotar medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis. Conforme as circunstâncias e a comprovação dos fatos, as consequências podem incluir indenizações por danos morais individuais e coletivos, além de outras medidas de reparação.

O órgão orienta que trabalhadores que se sintam ameaçados ou perseguidos por suas convicções políticas reúnam provas que possam ajudar na investigação. Entre os materiais que podem contribuir para a apuração estão mensagens, e-mails, áudios, documentos e informações sobre possíveis testemunhas.

As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho no Piauí pelo WhatsApp (86) 99544-7488, pela internet, no portal de denúncias do órgão, ou presencialmente nas unidades localizadas em Teresina, Picos e Bom Jesus.

Fonte: conecta piaui