Idoso de Pedro II denuncia empréstimo de R$ 16 mil feito sem seu consentimento e acende alerta sobre procurações

O aposentado registrou um B.O

19/10/2026 - 08:44

Um caso registrado na Delegacia de Polícia Civil de Pedro II, no Norte do Piauí, chama a atenção para os cuidados necessários ao conceder procurações e autorizar terceiros a realizar movimentações financeiras em nome de outras pessoas. Um idoso de aproximadamente 80 anos, residente na localidade Caiçara, na região do Mufundo, zona rural do município, procurou a polícia após descobrir que teria sido realizado um empréstimo bancário de R$ 16 mil em seu nome, sem que ele tivesse conhecimento ou dado consentimento para a operação.

Foto: ilustrativa

O caso foi relatado pelo próprio idoso à reportagem da Rádio Imperial FM nesta segunda-feira (19). Por questões éticas e para preservar a identidade e a privacidade do envolvido, o nome dele não será divulgado.

Segundo o relato, o idoso é aposentado e possui problemas de saúde. A neta dele tem uma procuração que permite o recebimento de seus benefícios. Há cerca de três meses, ao procurar o Banco do Brasil para obter informações sobre as movimentações realizadas em sua conta, ele teria sido informado pela gerência da instituição sobre a contratação de um empréstimo no valor de R$ 16 mil.

Ainda conforme o relato, o idoso afirma que não tinha conhecimento da operação e que o empréstimo teria sido realizado pela neta sem seu consentimento. Preocupado com a situação, ele procurou a Delegacia de Polícia Civil de Pedro II e registrou um boletim de ocorrência.

O caso deverá ser esclarecido pelas autoridades competentes. Até o momento, não há informações sobre eventuais desdobramentos da ocorrência ou sobre a conclusão de uma investigação. Também não houve manifestação da pessoa mencionada no relato.

Procuração exige atenção e confiança

O episódio serve de alerta para famílias que concedem procurações a parentes ou a terceiros para administrar benefícios, movimentar contas bancárias ou resolver questões financeiras.

A procuração é um instrumento legal pelo qual uma pessoa autoriza outra a agir em seu nome, dentro dos poderes estabelecidos no documento. Dependendo do conteúdo e da finalidade, ela pode permitir a realização de diferentes atos, inclusive determinadas operações bancárias.

Por isso, antes de conceder uma procuração, é importante compreender exatamente quais poderes estão sendo autorizados. Sempre que possível, o documento deve ser específico para a finalidade pretendida, evitando conceder poderes mais amplos do que o necessário.

Também é fundamental que o titular da conta acompanhe regularmente os extratos, os saques, as transferências e outras movimentações financeiras, mesmo quando confia a administração de seus recursos a um familiar.

No caso de pessoas idosas, especialmente aquelas que dependem exclusivamente da aposentadoria para custear alimentação, medicamentos e outras necessidades básicas, esse cuidado se torna ainda mais importante.

O que fazer diante de uma movimentação não reconhecida?

Caso uma pessoa descubra um empréstimo ou outra operação financeira que não reconhece, algumas medidas podem ajudar a proteger seus direitos:

* Procurar imediatamente o banco: solicitar cópias do contrato, informações sobre a operação e os registros disponíveis da contratação.
* Registrar uma contestação formal: informar à instituição financeira que a operação não foi autorizada e guardar o número do protocolo.
* Registrar boletim de ocorrência: apresentar às autoridades os documentos e as informações disponíveis sobre o caso.
* Buscar orientação jurídica: procurar a Defensoria Pública ou um advogado para avaliar as medidas cabíveis, inclusive eventual pedido de suspensão das cobranças ou restituição de valores.
* Revisar a procuração: buscar orientação jurídica ou notarial para verificar os poderes concedidos e, se necessário, providenciar sua alteração ou revogação, observadas as regras aplicáveis.

É importante destacar que a existência de uma procuração não significa, por si só, autorização irrestrita para realizar qualquer operação em nome do titular. Os poderes concedidos, os limites legais e as circunstâncias de cada caso precisam ser analisados.

O relato do idoso de Pedro II reforça a importância da transparência nas relações familiares e financeiras e da proteção do patrimônio de pessoas em situação de maior vulnerabilidade. A confiança é importante, mas o acompanhamento das movimentações bancárias e o conhecimento dos poderes concedidos por meio de uma procuração são medidas fundamentais para prevenir problemas e garantir a segurança financeira.

Fonte: Da Redação