Polícia segue nas buscas por mais dois suspeitos de envolvimento em plano de execução dos delegados Ayslan Magalhães e Charles Pessoa no Piauí
Cinco envolvidos foram presos em operação
01/10/2026 - 10:44
A Polícia Civil do Piauí segue nas buscas por mais dois suspeitos de envolvimento na organização criminosa investigada por planejar a execução dos delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães, no Piauí. Na manhã desta quinta-feira (01), o delegado Laércio Evangelista afirmou que eles foram identificados como João Vitor e Adriano do Amaral.

"A sequência de operações policiais deflagradas pelo DRACO e Polícia Civil de Parnaíba começou a incomodar as lideranças da facção Comando Vermelho. Inclusive, uma dessas operações, na cidade de Bom Princípio, resultou na apreensão de cerca de uma tonelada de pasta base de cocaína, o que gerou um prejuízo na casa de 60 milhões de reais para a facção. Um dos indivíduos presos, no momento, que é o Roberson, ele teria pedido a cabeça dos delegados para uma liderança da facção Comando Vermelho, que se encontrou foragido, é o Adriano do Amaral. Segundo o nosso relatório de inteligência, o Adriano do Amaral teria disponibilizado uma alta quantia de dinheiro para que executores, vindos do estado do Ceará praticassem o atentado. No momento temos os dois indivíduos foragidos: Adriano do Amaral, cujas últimas informações que tivemos foi dele na Bolívia e Uruguai e o João Vitor, lá do estado do Ceará", explicou o delegado.
O delegado detalhou que os criminosos estavam se mobilizando para cometerem os crimes durante o período eleitoral. Detalhes preliminares apontam que o atentado contra Charles ocorreria durante uma agenda de campanha na zona Norte de Teresina.
"Segundo as informações, eles aproveitariam o período eleitoral, não necessariamente no evento lá no Mocambinho. Mas, por essa razão, nós identificamos alguns indivíduos que pudessem estar envolvidos com esse atentado e demos cumprimento a mandados de buscas também na Vila Mocambinho", explicou.
Cinco envolvidos foram presos em operação
Na segunda-feira (28), a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou uma operação de alcance internacional contra dez investigados, entre eles integrantes apontados como pertencentes à alta hierarquia do grupo criminoso. As investigações indicam que cerca de R$ 1 milhão teriam sido destinados ao planejamento dos atentados, incluindo a contratação de executores de outro estado e a disponibilização de armamentos, veículos e imóvel de apoio. Na ocasião, cinco indivíduos foram presos.
O esquema foi identificado pelo serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil do Estado do Piauí, por meio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). A operação teve desdobramentos internacionais, com diligências na Bolívia e no Uruguai, com atuação da Interpol.
Segundo a investigação, o plano começou a ser estruturado após sucessivas ações das forças de segurança provocarem prejuízos milionários ao tráfico de drogas no Norte do Piauí. Entre essas ações está uma operação realizada em Bom Princípio do Piauí, onde aproximadamente 1 tonelada de entorpecentes, predominantemente cocaína, foi apreendida em uma propriedade rural. Parte da droga estava escondida em recipientes e tambores enterrados.
As apurações indicam que integrantes da organização passaram a atribuir os prejuízos sofridos pelo grupo à atuação policial e, a partir disso, avançaram na articulação dos atentados. O trabalho de inteligência identificou uma estrutura organizada para colocar o plano em prática, com divisão de funções, recursos financeiros, escolha de executores e preparação do suporte logístico.
As investigações apontam que a organização monitorava a rotina do delegado Charles Pessoa, principalmente na academia que ele frequentava, acompanhando seus deslocamentos e atividades. Segundo as investigações, os criminosos acompanhavam a divulgação da agenda do delegado e planejavam aproveitar os compromissos públicos na campanha eleitoral, quando ele estaria mais exposto, para praticarem um atentado.
Estrutura do grupo criminoso
Entre os investigados está A.A.S., conhecido como “Pavão”, apontado como integrante de um núcleo familiar identificado nas investigações como parte relevante da estrutura de liderança da organização criminosa.
A coordenação operacional do plano teria sido atribuída a J.V.C., conhecido como “Meia-Noite”. Segundo as apurações, ele teria a função de selecionar executores provenientes de Fortaleza (CE) e providenciar a estrutura necessária para a ação.
C.N.F., conhecido como “Barba”, é investigado por supostamente atuar na transmissão e acompanhamento de determinações. Já A.D.P.N., conhecido como “Fantasmão”, teria participação no suporte logístico e operacional e na articulação entre integrantes do grupo no Piauí.
Também é investigado A.L.F.S., conhecido como “André da Ilha”, apontado como integrante da estrutura criminosa.
As investigações indicaram ainda que integrantes da organização continuavam exercendo funções dentro do grupo mesmo após ingressarem no sistema prisional, com determinações sendo transmitidas a intermediários em liberdade.
Ramificações internacionais
O avanço das apurações revelou conexões que ultrapassam as fronteiras do Piauí e do Brasil. Há elementos indicando a presença de investigados no exterior e vínculos com estruturas relacionadas ao tráfico de drogas, com ramificações na Bolívia e no Uruguai.
A operação busca cumprir as medidas judiciais determinadas, desarticular a estrutura investigada e identificar outros possíveis envolvidos.