Agricultores familiares participam de intercâmbio agroecológico em Pedro II e Lagoa de São Francisco

30 beneficiários e beneficiárias estiveram presentes

25/06/2026 - 10:43

Agricultores e agricultoras familiares de Capitão de Campos, das comunidades Tigre, Assentamento Santa Ana, Oiticica, Lagoinha, Oiteiro, Extrema, Santana de Cima, Santana de Baixo e São Luís, participaram do intercâmbio intermunicipal do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Ao todo, 30 beneficiários e beneficiárias estiveram presentes nas atividades realizadas nos dias 18 e 19 de junho de 2026, nos municípios de Pedro II e Lagoa de São Francisco, no Piauí.

No município de Pedro II, os participantes visitaram e trocaram saberes agroecológicos no Assentamento Pedra Branca, localizado na zona rural. Na oportunidade, conheceram o quintal agroecológico da agricultora familiar Solange Chaves e de seu esposo, Agenor Paulino, que também foram contemplados, no ano passado, com o Programa P1+2 e o Fomento Rural.
Mesmo diante das dificuldades de acesso à água, Solange e sua família aprenderam a produzir alimentos economizando recursos hídricos por meio de técnicas agroecológicas, como a cobertura do solo com folhas de cajueiro e o cultivo de plantas nativas da região.

Além da produção de hortaliças, verduras e legumes, a agricultora complementa a renda familiar, cuja principal fonte é o Bolsa Família, com a venda de ovos e galinhas caipiras. Solange destaca que o programa transformou sua vida e acredita que também transformará a realidade de muitas outras famílias.

“O P1+2 transformou o meu quintal. Antes, não tínhamos essa variedade de plantas e alimentos. Melhorou a alimentação da minha família. Hoje não preciso mais comprar frangos, ovos, tomate-cereja, abóbora, cebolinha, coentro, alface e abobrinha. Tudo é produzido de forma orgânica, sem agrotóxicos. Meu quintal também ficou mais verde e cheio de pássaros”, destaca.
Outro local importante visitado foi a Casa de Sementes da Fartura Lauro Chaves dos Santos, espaço que preserva saberes, cultura, arte e tradições da comunidade. Os participantes foram recebidos de forma festiva pelos guardiões e guardiãs das sementes, incluindo adultos e crianças.

Na área da Casa de Sementes, conheceram a casa de farinha comunitária, a estufinha das crianças e o campo de ensaios do Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido, desenvolvido por meio de parceria entre o CERAC, a Embrapa e a ASA Brasil. Também visitaram os quintais agroecológicos das famílias da comunidade, onde são produzidas verduras, hortaliças e peixes da espécie tilápia.
Na tarde do dia 18 de junho, os trabalhadores e trabalhadoras do campo conheceram o sistema agroflorestal de Geovane Sousa, na comunidade Cipó, denominado Quintal Agroecológico do Seu Milu. O espaço foi criado por seu saudoso pai e ampliado por ele e seus irmãos, que mantêm uma verdadeira floresta de alimentos, com diversas variedades de banana, mamão, maracujá, plantas medicinais, mangueiras, abelhas nativas, criação de peixes, coqueiros, abacaxis, cheiro-verde, tomate-cereja, entre outros cultivos.
Na propriedade, os visitantes também conheceram a casa de sementes da família, um viveiro de mudas e uma área destinada à multiplicação de sementes crioulas, conhecidas como sementes da fartura.

No dia 19 de junho, os agricultores realizaram uma imersão na Aldeia Indígena Nazaré, localizada no município de Lagoa de São Francisco. Na comunidade, conheceram o quintal agroecológico de dona Lúcia e seu Francisco, indígenas Tabajara que cultivam o espaço com dedicação, aplicando técnicas agroecológicas, defensivos naturais e reaproveitando matéria orgânica.
A cisterna calçadão, além de embelezar o quintal, serve como importante fonte de água para irrigação durante os períodos de estiagem.

Ainda na comunidade, os beneficiários visitaram o Museu dos Povos Indígenas Anizia Maria Tabajara e Tapuio Ytamaraty, espaço que preserva e conta a história viva dos povos originários do Piauí. Durante a visita, conheceram formas ancestrais de produção de alimentos e compreenderam como a agricultura familiar agroecológica está profundamente ligada à natureza e à ancestralidade.
O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) é uma iniciativa da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com apoio do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido e recursos do Governo Federal. No estado do Piauí, a ação é executada pelo Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC).

Fonte: Da Redação com informações das ascom