Água, Sementes e Esperança Transformam a Vida de Famílias no Semiárido

O momento também fortaleceu a valorização e a multiplicação dos conhecimentos

13/05/2026 - 10:30

O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), no Semiárido piauiense, transforma vidas e impulsiona os sonhos de um povo soberano, que conhece suas raízes e reconhece a importância de uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos e transgênicos.

Nesse sentido, o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), entidade executora do P1+2 em Capitão de Campos, realizou entre os dias 06 e 08 de maio de 2026 a  capacitação em Sistema Simplificado de Manejo da Água (SISMA) para beneficiárias e beneficiários do programa.

Durante os três dias de formação, os participantes trocaram saberes sobre recatingamento, Sementes da Fartura, manejo adequado da água com foco na economia e técnicas eficientes para nutrir as plantas durante o período de estiagem. O momento também fortaleceu a valorização e a multiplicação dos conhecimentos e saberes tradicionais das comunidades.

Paralelamente, foi realizado o SISMINHA, atividade voltada às crianças das famílias atendidas pelo programa.

A iniciativa consiste em momentos de recreação e aprendizagem, nos quais as crianças conhecem temas como preservação ambiental, Sementes da Fartura, economia de água e valorização da sociobioagrodiversidade dos povos do Semiárido.

Maria Luiza Cruz, beneficiária do programa, destacou a importância de incluir as crianças nos processos formativos:

“Eu levei a minha netinha. Gostei muito. É bom para o desenvolvimento das crianças. Ela brincou e aprendeu sobre meio ambiente”, conta.

No município de Capitão de Campos-PI estão sendo implantadas 69 tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, sendo 59 cisternas-calçadão, 9 cisternas do tipo enxurrada e 1 barragem subterrânea.

As cisternas-calçadão e as cisternas-enxurrada possuem capacidade para armazenar até 52 mil litros de água da chuva, sendo fundamentais para o cultivo de hortaliças, frutíferas e para a criação de pequenos animais, como aves, caprinos, ovinos, suínos e abelhas.

Já a barragem subterrânea atua como uma barreira impermeável no solo, retendo a água das chuvas e elevando o lençol freático. Essa tecnologia permite o cultivo de milho, feijão e abóbora mesmo durante o período de estiagem, garantindo segurança alimentar e geração de renda para as famílias do campo.

Leonice Rodrigues, da comunidade Extrema, afirma que a cisterna vai ampliar a produção de alimentos saudáveis em seu agroecossistema.

“A segunda água vai garantir alimentos mais saudáveis na mesa da minha família e, quem sabe, aumentar também a nossa renda”, destaca.

O agricultor José Francisco da Silva, conhecido como Zezinho, da comunidade São José, explica que a dificuldade de acesso à água sempre foi a principal barreira para ampliar a produção.

“Nós vamos ter uma maior produção de alimentos no verão, porque a nossa maior barreira era a água. Agora, com o Programa, vamos ter mais disponibilidade para trabalhar no período seco”, esclarece.

Além dessas ações, o município receberá também três Casas de Sementes da Fartura, espaços comunitários destinados à conservação e multiplicação de sementes crioulas, livres de agrotóxicos e modificações genéticas, fortalecendo a agricultura sustentável e a soberania alimentar local.

Cada família beneficiada receberá ainda um fomento no valor de R$ 4.600,00 para investir em seu quintal produtivo, além de participar de formações sobre o uso racional da água e a implantação de projetos produtivos.

Seu Zezinho já elaborou seu projeto produtivo voltado ao fortalecimento da criação de galinhas, porcos e bodes.

“O recurso do fomento é muito positivo. Com ele, é possível sonhar e melhorar o que já fazemos”, relata.

O animador de comunidades do CERAC, Leonardo Oliveira, que acompanha a região, ressalta que a política pública chega às pessoas que mais necessitam.

“Os critérios do Programa são bem definidos. São atendidas pessoas inscritas no Cadastro Único, que sofrem com exclusão hídrica e já possuem a cisterna de primeira água. Além disso, o programa prioriza mulheres chefes de família, indígenas e quilombolas”, informa.

Fonte: REDAÇÃO