Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro

Oscar teve uma parada cardiorrespiratória

17/04/2026 - 19:42

O Brasil e o mundo perderam um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. Nesta sexta-feira (17), às 14h08, morreu Oscar Schmidt, o Mão Santa, aos 68 anos. Maior pontuador da história das Olimpíadas, o astro deixou a mulher, Maria Cristina, e dois filhos, Felipe e Stephanie. Oscar teve uma parada cardiorrespiratória em São Paulo e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), que soltou nota oficial.

"O Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) informa que o paciente Oscar Daniel Bezerra Schmidt, de 68 anos, foi encaminhado à unidade nesta sexta-feira (17/04) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), já em parada cardiorrespiratória (PCR). A equipe prestou toda a assistência necessária e acolheu os familiares, oferecendo os devidos esclarecimentos. Neste momento de dor, expressamos nossas sinceras condolências à família e amigos".

Em um comunicado, a família de Oscar destacou a luta de 15 anos do ex-atleta contra um tumor cerebral.

"Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida. Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo", diz um trecho da declaração da família.

O corpo de Oscar será cremado, e, segundo outro trecho do comunicado, a cerimônia de despedida não será pública.

"A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória."

Ala-armador, Oscar foi considerado um fenômeno do basquete pelo mundo inteiro, e os feitos do jogador o levaram a ser reverenciado tanto em sua terra natal, quanto no resto do mundo. O dono da camisa 14 do Brasil detém muitos recordes, como o de maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos e da seleção, com 1.093 e 7.693 pontos, respectivamente.

Até o berço do basquete, os Estados Unidos, se curvou a Oscar. Mesmo sem fazer uma única temporada pela NBA e abdicando de um lugar na liga para atuar na seleção brasileira, os americanos reconheceram por várias vezes a importância do Mão Santa para a modalidade.

Neste mês de abril, Oscar foi introduzido ao Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. O ala-armador participou de cinco edições de Olimpíadas e é, até hoje, o único a ter superado a marca de 1.000 pontos nos Jogos. Mão Santa ainda integra o Hall da Fama do Basquete e o Hall da Fama da NBA.

Nasce um ídolo

 

Oscar, irmão do apresentador Tadeu Schmidt, nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte. Desde pequeno, incentivado pelo pai militar, praticou esportes. Primeiro, tentou o futebol. Posteriormente, quando foi morar em Brasília, passou a jogar basquete e, aos 13 anos, chegou ao seu primeiro clube: o Unidade da Vizinhança.

Três anos depois, Oscar foi para São Paulo jogar pelo infanto-juvenil do Palmeiras. Logo foi convocado para a seleção da categoria e, por ter se destacado, já recebeu um chamado para a equipe principal. Em 1978, conquistou seus primeiros títulos pelo Brasil: o Sul-Americano e o terceiro lugar no Mundial das Filipinas.

O desempenho de Oscar o levou a ser contratado pelo Sírio, em 1979, equipe pela qual foi campeão da Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete. E, no ano seguinte, participou daquela que foi a sua primeira de cinco edições de Jogos Olímpicos, Moscou 1980, em que marcou 169 pontos e ficou em quinto lugar com a seleção brasileira.

 

O mundo descobre o Mão Santa

 

O ano de 1982 foi marcante para Oscar por dois motivos: a saída do Sírio e a ida para a Itália. O atleta trocou o clube paulista pelo América, do Rio, mas, meses depois, recebeu uma proposta para atuar pela equipe italiana Juvecaserta.

Na Itália, o Mão Santa passou 11 temporadas, oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia. Além de títulos, Oscar também colecionou recordes, como o de fazer um total de 13.957 pontos e se tornar o primeiro atleta a superar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano.

Em 1993, Oscar deixou a Itália rumo ao desafio de também brilhar na Espanha. E por duas temporadas, o brasileiro encantou o torcedor do Fórum, da cidade de Valladolid.

 

A volta para casa

 

A saudade de casa fez com que Oscar optasse por retornar ao Brasil em 1995. Na bagagem, trouxe títulos internacionais, além do carinho dos torcedores do mundo. A equipe escolhida para voltar foi o Corinthians.

Fonte: g1